Um projeto em andamento está avaliando qual é a importância da conversa para manter o cérebro afiado, tendo o prazo de finalização e divulgação do seu resultado para o ano de 2022. Trata-se de uma pesquisa, em fase de desenvolvimento, que está analisando se a conversa pode ser benéfica para evitar problemas de demência, ou até mesmo o Alzheimer, em idosos.
Ela parte da premissa que a conversa mantém o cérebro ativo, evitando a aceleração da morte celular e desenvolvimento de doenças, melhorando a qualidade de vida.
A demência é um problema gravíssimo, onde somente no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, podem ser quase 3 milhões de pessoas “com suas famílias enfrentando as consequências dessa condição neurológica devastadora”. Para a instituição, a pesquisa para a prevenção dessa doença tem grandes desafios pela frente.
Uma dessas pesquisas busca utilizar uma ferramenta simples, de graça e disponível para qualquer pessoa: conversar. O ato de interagir com outras pessoas, força a mente a estimular ligações neurais antigas, através da busca de memórias, bem como cria novas. Isso faz com que ela fique mais atenta e tenha menos chances de desenvolver problemas.
Além disso, previne doenças do corpo e da mente, estimulando hábitos de vida mais saudáveis, como a prática de atividades físicas adequadas à idade, o cuidado pessoal, investimento em novos hobbies e muitos outros fatores oriundos da troca entre pessoas, cada vez mais escassa. Esse estudo está procurando atestar se a conversa realmente melhora e previne as demências.
Importância da conversa para manter o cérebro afiado

Para os autores, essa é a “faixa etária de crescimento mais rápido da população na maioria dos países desenvolvidos. Estes enfrentam mais riscos de desenvolver demência e isolamento social, ambos fatores para declínios cognitivos”. Por isso, esse estudo é muito importante, pois além de ajudar uma parcela cada vez maior de pessoas, utiliza uma ferramenta de tratamento gratuita: o diálogo.
Como foi realizado
Para isso, eles dividiram os idosos em dois grupos, onde o primeiro era um grupo de controle, que receberia ligações telefônicas semanalmente, apenas para acompanhar o estado de saúde e outros pontos definidos em um roteiro básico.
O segundo grupo é o de estudo, de fato, que vai passar pelas sessões de conversas de trinta minutos, via internet, em uma plataforma própria e fácil de utilizar. Porém antes disso, passaram por conversas diárias, presencialmente, também com 30 minutos cada uma, ao longo de seis semanas.
Qual o objetivo
O objetivo era estudar idosos com “80 anos ou mais, com cognição normal e oportunidades limitadas para interações sociais – um grupo com alto risco de incidência de Comprometimento Cognitivo Leve”, que pode levar a doenças mais graves posteriormente. Suas conversas seriam monitoradas e controladas, seguindo um roteiro.
Esse roteiro visa estimular diferentes áreas do cérebro, fazendo com que processe informações diferentes, com cruzamentos e aprofundamento. Por exemplo, uma das perguntas que parecem bobas é como anda o time favorito. Em seguida, pede para analisar se eles acham que tem diferença na atuação dos times no início e no final do campeonato e o porquê disso.
Começa com algo mais simples e vai tornando-se mais complexo, levando ao reforço de ligações de diversas áreas do cérebro, incluindo a memória de curto e longo prazo. Além disso, procura-se monitorar o “bem-estar psicológico e os níveis de interações sociais específicos da pessoa” no dia a dia, através de um diagnóstico realizado pelo entrevistador.
Resultados

Para avaliar os resultados, estão sendo utilizados diversos exames físicos e diagnósticos cognitivos, a exemplo da ressonância magnética, morfometria baseada em voxel e a conectividade estrutural e funcional entre a amígdala e o sulco temporal superior.
A hipótese a ser comprovada é a de que “aumentar o contato social diário através de tecnologias de comunicação poderia oferecer uma prevenção caseira econômica, que poderia retardar o declínio cognitivo e retardar o início da demência”. Ou em palavras mais simples, realmente há verdade no fato de que existe importância da conversa para manter o cérebro afiado.
Algo que todo mundo já sabe, mas parece fazer de conta que esqueceu, relegando o idoso ao isolamento social, já tão propício dada a sua limitação física, que as vezes o impede até mesmo de sair de casa e fazer coisas simples, como ir ao mercado ou até a casa de um amigo.

