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Cientistas brasileiros descobrem como frear o câncer de pâncreas

A descoberta ainda está sendo testada em laboratório, mas já trouxe resultados animadores.

Imagem meramente ilustrativa: Freepik

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Cientistas do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Universidade de São Paulo, conseguiram impedir a evolução do câncer de pâncreas pela primeira vez.

Eles identificaram uma proteína presente na maioria das pessoas que morreram com a doença e, assim, pensaram que poderiam usar um inibidor dessa proteína para interromper sua função destrutiva:

“Com isso, houve um índice maior de morte das células tumorais, o que evitou o crescimento e a migração da doença em ensaios in vitro, tornando-a menos maligna”, afirmou o coordenador da pesquisa, o professor João Agostinho Machado-Neto, do Laboratório de Biologia do Câncer e Antineoplásicos do Departamento de Farmacologia do ICB-USP.

Veja também: Como limpar o pâncreas com receitas naturais

O resultado da pesquisa foi publicado na revista Investigational New Drugs, do grupo Springer Nature.

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Agora, a descoberta, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), abre caminho para o desenvolvimento de uma nova terapia contra o câncer de pâncreas.

Como o estudo foi conduzido

Os pesquisadores analisaram a base de dados The Cancer Genome Atlas (TCGA), que reúne informações do material genético de mais de 20 mil pacientes com 33 tipos de câncer.

Foi aí que eles identificaram que a maioria dos pacientes com câncer de pâncreas tinha alta quantidade da proteína ezrina, e morria de dois a cinco anos após o surgimento dos tumores.

“Obtivemos essa constatação após um longo trabalho de mineração de dados. Essa informação nos chamou a atenção para realizarmos testes com o composto, que é um inibidor da ezrina, já que se trata de um dos cânceres mais letais e que têm poucas opções terapêuticas”, contou o professor.

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Os testes e resultados

A aplicação do composto foi feita em modelos que simulam os tumores da doença. Trata-se de linhagens celulares, aprovadas para uso comercial, que foram obtidas a partir de amostras doadas por pacientes e submetidas ao processo de imortalização.

O composto foi aplicado em três modelos celulares de câncer de pâncreas e se mostrou capaz de impedir a ativação da proteína.

Apesar das diferenças nos modelos experimentais, as células cancerosas testadas apresentaram resultados similares.

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“Com o êxito nesses primeiros testes, estamos planejando avaliar os efeitos do composto e a expressão do seu alvo ainda in vitro, mas agora em células obtidas diretamente de pacientes com o tumor. Assim, teremos um resultado mais assertivo frente à diversidade de resultados que obtivemos”, afirma Machado-Neto.

Além do câncer de pâncreas

Claro que os cientistas aproveitaram a descoberta e estão estudando os benefícios desse possível tratamento para outros tipos de câncer, como do colo do útero (carcinoma cervical), câncer de cólon e leucemias.

Segundo Machado-Neto, em estudos anteriores com modelos animais, o inibidor obteve bons resultados em termos de farmacocinética (capacidade de chegar até o local de ação e permanecer dentro do organismo) e se mostrou pouco tóxico.

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No entanto, ainda não há como desenvolver medicamentos a partir dele, porque o composto ainda não foi testado em seres humanos. Seu uso é restrito para pesquisa até o momento.

Caso seja eficaz também em seres humanos, a estratégia deverá ser importante nos estágios iniciais e intermediários do câncer de pâncreas, já que evitaria o agravamento da doença.

A pesquisa teve a participação dos alunos de doutorado: Jean Carlos Lipreri da Silva, que atuou na mineração dos dados, Keli Lima, Lívia Bassani Lins de Miranda e Bruna Oliveira de Almeida, que atuaram nos testes celulares e moleculares.

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Também contou com a colaboração da aluna de graduação Maria Fernanda Lopes Carvalho, do curso de ciências biomédicas do ICB-USP, que participou da pesquisa como bolsista de iniciação científica e também atuou na mineração de dados do TCGA.

Fonte: Agência Fapesp

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