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Ana Melyssa: a menina de 11 anos que aprendeu Libras sozinha para incluir o vizinho surdo

Como uma criança piauiense usou a internet para derrubar barreiras de comunicação

Imagem: Reprodução

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Uma história que começa com um simples “boa noite”

Às vezes, a mudança começa nos gestos mais simples. Ana Melyssa estava na casa da avó quando percebeu um colega passando pela rua e se comunicando por sinais. Ela disse à mãe que queria aprender Libras para poder conversar com ele.

Esse momento mudou tudo.

Moradora de Piripiri, no Norte do Piauí, Ana começou a aprender Língua Brasileira de Sinais (Libras) sozinha após perceber que não conseguia se comunicar com um vizinho surdo. Ela era ouvinte. Ele, surdo. Mas isso não foi obstáculo — foi motivação.

Do celular para o coração: como tudo começou

A mãe de Ana, Leiliane Melyssa, contou que o interesse pela língua de sinais começou em 2025, quando Ana tinha apenas 10 anos. A menina percebeu que o vizinho surdo tentava cumprimentar outras pessoas, mas não conseguia ser compreendido.

A solução que ela encontrou foi simples e poderosa.

A partir disso, Ana buscou vídeos na internet para entender os sinais básicos e começou a praticar no dia a dia. Sem professor. Sem curso formal. Só determinação e empatia.

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O resultado foi emocionante. Ana contou que, na segunda vez que o vizinho passou em frente à casa da avó, ela conseguiu dizer “boa noite” em sinais. O sentimento foi de gratidão ao perceber que ele se sentiu incluído.

De estudante curiosa a influenciadora de Libras

A história de Ana não parou na calçada. Ela cresceu — e muito.

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Hoje, a jovem publica vídeos nas redes sociais traduzindo mensagens e músicas para Libras e já alimenta o sonho de se tornar intérprete profissional.

Nas redes, seu conteúdo alcança cada vez mais pessoas. Confira o que ela já faz:

  • 🎵 Traduz músicas para Libras em vídeos curtos
  • 📜 Interpreta poemas em eventos escolares
  • 👋 Ensina saudações básicas para seguidores
  • 🏫 Atua como intérprete na própria escola

Aos sábados, a Associação dos Surdos de Piripiri tem ocupado as salas da escola com atividades que ensinam Libras para a comunidade. A partir do comportamento de Melyssa, mudanças aconteceram na rotina da comunidade escolar.

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A Aspiri: onde o aprendizado ganhou ainda mais força

O caminho de Ana ganhou um novo capítulo em abril de 2026.

Há cerca de um mês, Ana Melyssa começou a frequentar a Associação dos Surdos de Piripiri (Aspiri). No local, ela convive com pessoas surdas e com intérpretes, o que ampliou o contato com a língua.

E o melhor? O vizinho que motivou sua jornada também é um dos alunos da associação. A história virou um círculo bonito de inclusão.

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De acordo com o presidente da associação, Adonilson Gomes, a menina ainda não fez curso formal, mas evolui com a convivência direta com os surdos. Às vezes, a vida é a melhor escola.

Por que a história de Ana nos diz tanto sobre o Piauí

A empatia de Ana tem ainda mais peso quando entendemos o contexto local.

De acordo com dados do IBGE, o Piauí tem a maior proporção de pessoas surdas do país. Quase 50 mil piauienses têm dificuldade permanente para ouvir, mesmo utilizando aparelhos auditivos. Esse número equivale a 1,6% da população do estado — a maior taxa de deficiência auditiva do Brasil.

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Esses números mostram uma realidade clara:

Estado % de pessoas com deficiência auditiva
Piauí 1,6% 🥇
Rio Grande do Sul 1,5%
Paraíba 1,5%
Brasil (média) 1,3%

Dessa forma, cada pessoa que aprende Libras no Piauí faz diferença real. E Ana faz essa diferença com apenas 11 anos.

O que podemos aprender com Ana Melyssa

A história dela nos ensina que inclusão não precisa de autorização. Não precisa de diploma. Não precisa de recursos. Precisa, acima de tudo, de vontade de enxergar o outro.

Especialistas em educação inclusiva destacam que o contato direto com diferentes formas de comunicação ajuda não apenas no aprendizado técnico da língua, mas também no desenvolvimento de empatia, escuta e sensibilidade social.

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Ana já entendeu isso intuitivamente — antes mesmo de saber o que significava “educação inclusiva”.

Além disso, aprender a língua de sinais não beneficia apenas pessoas surdas, mas amplia possibilidades de convivência, pertencimento e participação social.

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Um sonho com nome e endereço

No caso de Ana, o aprendizado também trouxe novos sonhos. O desejo de se tornar intérprete surgiu conforme ela passou a se aprofundar mais no universo da Libras e a fortalecer vínculos com a comunidade surda.

Ela ainda tem muito pela frente. Mas já mostrou que o caminho é esse: olhar para o outro com curiosidade e respeito.

Se uma criança de 11 anos foi capaz de transformar um simples “boa noite” em movimento de inclusão, o que cada uma de nós pode fazer hoje?

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💬 Você conhece alguém que aprendeu Libras? Conta nos comentários! E se essa história te inspirou, compartilha — ela merece chegar longe. 🤟

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