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Psicopatia pode não ser doença mental, aponta pesquisa

Os pesquisadores veem motivos para crer que o comportamento psicopata é apenas uma característica, não uma doença

Crédito: Reprodução

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Hoje em dia, o termo psicopata não é mais utilizado. No caso de adultos, a psicopatia é chamada de personalidade antissocial. No caso das crianças, é denominado transtorno de conduta.

O conceito da psicopatia surgiu no século 19, através de um estudo no qual médicos pesquisaram o fato de que muitos criminosos agressivos e extremamente cruéis não apresentavam sintomas comuns de loucura.

Aqui, vale ressaltar que uma pessoa com psicopatia não será, necessariamente, uma assassina. Os assassinos em série quase sempre são psicopatas, mas existem muitos psicopatas que nunca cometeram um crime.

Tanto que, anos mais tarde após aquele estudo, ampliou-se o conceito de avaliação da psicopatia para todos os tipos de pessoas, de modo que algumas características de psicopatia podem ser identificadas em qualquer indivíduo. Sendo assim, será que é uma doença ou apenas um outro jeito de ser?

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Aproveite e veja: Os 5 mais comuns transtornos mentais

O que é a psicopatia?

Na medicina, uma pessoa é considerada psicopata quando apresenta alguns traços comportamentais, como manipulação, insensibilidade, agressividade, ausência de empatia e remorso, falta de emoção e narcisismo.

As reais causas da psicopatia ainda são desconhecidas, mas sabe-se que a pessoa já nasce assim. De acordo com o psiquiatra Fábio Barbirato, em uma entrevista concedida à revista Galileu, as crianças que nascem com esse transtorno começam a apresentar sinais por volta dos 5 anos.

É nessa idade que se formam as áreas do cérebro ligadas ao comportamento inibitório. Ou seja, é a partir dessa idade que a criança aprende a diferenciar o certo do errado, percebe que, se machucar alguém, vai causar dor e sofrimento. Ela é capaz de se colocar no lugar do outro e inibir um comportamento maldoso.

Mas, na criança com o transtorno, essa capacidade precisa ser desenvolvida com apoio médico e familiar, pois a criança não desenvolve a empatia e o remorso que a permitem chegar sozinha a essas conclusões.

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Então, vemos que não necessariamente a psicopatia deve ser considerada uma doença. Pesquisadores canadenses classificaram a psicopatia como uma estratégia de adaptação de vida, promovida pela seleção natural ao longo da evolução humana.

Veja também: 8 características comuns de uma pessoa psicopata

O estudo e suas conclusões

Eles chegaram a essa conclusão após realizar uma revisão de 16 estudos já publicados sobre o assunto, que incluíram 2 mil indivíduos.

O estudo, que foi publicado na revista Evolutionary Psychology, mostrou que, embora a origem dos transtornos mentais não seja totalmente compreendida, perturbações que afetam o neurodesenvolvimento podem contribuir para isso.

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Sendo assim, para a psicopatia ser considerada uma doença mental, deveria haver uma maior prevalência de alterações do neurodesenvolvimento em psicopatas, em comparação com a população em geral. Mas, não foi o que mostrou o estudo.

Eles argumentam que os mesmos atributos que tornam os psicopatas pessoas desprezíveis pela sociedade atual, como falta de remorso, agressividade e desrespeito pelo bem-estar dos outros, podem ter sido motivo de vantagem em um mundo onde a competição por recursos era intensa.

Então, tecnicamente, pessoas com esse perfil podem ser enquadradas dentro do transtorno de personalidade antissocial, caracterizado por um padrão de desrespeito ou violação dos direitos dos outros, embora a psicopatia em si não seja um transtorno.

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Veja também: Psicopatia na infância: crianças que nascem más podem ser controladas

Fonte: O Globo Saúde

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