De acordo com um estudo conduzido pela Universidade da Austrália Ocidental, é mais fácil identificar um homem que trai do que uma mulher, analisando a sua expressão facial. O estudo trouxe resultados surpreendentes sobre a infidelidade para os pesquisadores.
A monogamia é a base para a construção da sociedade atual e, quebrar esse pacto, encontrando-se com outras pessoas, é sinal de traição. Para que o acordo funcione, ambas as partes devem ser confiáveis, sendo a expressão facial “uma das principais dimensões subjacentes aos julgamentos de traços que demonstram confiabilidade”.
O estudo buscou exatamente analisar a expressão facial em fotos de homens e mulheres, para saber quais tinham sido infiéis. De acordo com os resultados obtidos, as mulheres são melhores em esconder a infidelidade do que o homem.
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Mulheres são melhores em esconder a infidelidade

Foram utilizados três termos base: infiel, para qualquer um que tenha traído seu parceiro ou parceira; caçadores furtivos, sendo os homens que poderiam “roubar” suas parceiras; e ladra de parceiros, para aquelas mulheres que poderiam tentar tirar o companheiro de outra.
Foram analisadas 189 fotos de pessoas de ambos os sexos, todas caucasianas, para manter uma padronização e evitar análise subjetiva por conta de preconceitos. Entre essas fotos, estavam 101 homens e 88 mulheres, sendo exposto somente o rosto, em poses comuns.
O resultado foi significativo. Grande parte dos homens que traíam tinham sido identificados, tanto por homens quanto mulheres. Porém, entre as mulheres que traíam a quantidade foi muito menor, chamando a atenção dos pesquisadores.
Para os pesquisadores, “descobrimos exatidão acima da média em impressões de infidelidade dos rostos masculinos. Embora muito modesto, o nível de precisão poderia, no entanto, ter um significado biológico como uma adaptação evoluída para identificar possíveis trapaceiros/caçadores”.
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Por que isso acontece?

De acordo com os autores, logo no início da formação da sociedade, nos molde de hoje, o homem tinha que garantir que todo o esforço e investimento realizado ia para seus descendentes de fato. Isso fez com que a mulher fosse colocada no papel de “do lar” e que os homens ficassem cada vez mais hábeis em identificar possíveis concorrentes, afastando-os.
O objetivo era garantir a sua descendência genética, direcionando os esforços para os seus, ao invés de possíveis filhos de outros relacionamentos, quando não monogâmicos. Pode ser comparado a um treinamento de séculos em identificar e, no caso das mulheres, em fechar os olhos para o que acontecia.
Com as palavras dos autores, “essa precisão acima da chance para os rostos masculinos é consistente com a previsão evolucionária de que a precisão em nossos julgamentos de infidelidade do rosto de estranhos pode representar uma adaptação evoluída para identificar potenciais trapaceiros/caçadores”.
Porém, os pesquisadores observaram que não havia precisão, apesar de os acertos estarem acima da média esperada. Dessa forma, eles finalizaram o trabalho com um trecho – aqui reproduzido – que deveria ser revisitado mais vezes:
“Não devemos confiar em nossas primeiras impressões para fazer julgamentos diagnósticos de infidelidade em situações cotidianas”, pois podem não representar necessariamente a verdade. Dessa forma, deve-se conhecer para confiar ou se afastar.

