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4 Características de uma pessoa má

Conheça o estudo que afirma que algumas características são essenciais ao detectar uma moral desviada
características de uma pessoa má
Crédito: Freepik

A discussão sobre o que é o bom e o mau vem de longa data, passando por diferentes vertentes filosóficas e teológicas. Atualmente, um novo estudo adicionou mais um ponto nessa discussão; para os pesquisadores, há quatro características essenciais em uma pessoa má.

A psicologia tenta classificar uma pessoa conotadamente má com a presença de três principais características: o narcisismo, a psicopatia e o maquiavelismo, denominados “dark triad” (a tríade escura, em português). Porém, um estudo canadense sugere adicionar o sadismo, completando quatro principais características.

Lembrando que na psicologia não existe o maniqueísmo que busca classificar tudo como A ou B, bom ou mau. Há graduações, modulações e intensidade nas características, em que a sua presença não indica necessariamente um problema, e sim as consequências que isso traz a si e aos outros.

Uma pessoa narcisista pode ter essa característica mais leve, na sua primeira fase, sendo apaixonado pela sua autoimagem, sem tentar fazer mal a ninguém. Porém em sua fase mais severa, corrompe e destrói corações, trazendo desespero e infelicidade a quem o cerca.

Tendo em mente essa graduação natural em todos os seres humanos, veja quais são as quatro principais características de uma pessoa má, de acordo com a psicologia.

Veja também: os mais comuns transtornos mentais

Quais são as características de uma pessoa má

pessoa má características
Crédito: Freepik

De acordo com o estudo realizado pela equipe de psicologia na Western University em Ontário, no Canadá, a tríade – narcisismo, psicopatia e maquiavelismo – deveria ser expandida, acrescentando também o sadismo.

Pois, apesar dessas três características poderem apresentar traços de sadismo, não necessariamente os têm. Da mesma forma que uma pessoa pode ser sádica, sem ter nenhuma das outras três características.

1. Narcisismo

De acordo com a mitologia greco-romana, Narciso era um bravo e orgulhoso herói, muito admirado pela sua beleza e força, mas tinha uma maldição: nunca poderia olhar para a própria imagem ou sua vida ficaria mais curta.

Uma ninfa havia se apaixonado por ele, mas insensível e vaidoso, ele não lhe dava atenção. Dessa forma, foi amaldiçoado a apaixonar-se por sua própria imagem, terminando sua vida afogado no rio que refletia a sua beleza.

Na psicologia, o narcisismo está relacionado a essa necessidade de ser amado acima de tudo e todos, não tendo empatia ao sentimento do outro. Essa centralidade no próprio ego faz com que a pessoa acabe tendo atitudes que fazem os outros sofrerem.

De acordo com a psicóloga e escritora Ana Beatriz Barbosa Silva, autora de alguns dos livros mais vendidos no ramo, o narcisismo tem algumas características principais:

  • Falta de empatia: não perceber o sentimento do outro é uma característica clara. Tudo gira em torno dele, então, se você está triste, é porque quer atingi-lo de alguma forma e não porque tem sentimentos próprios, por exemplo;
  • Sentimento de merecimento superior a todos: em sua mente, ele é o que há de melhor na espécie humana, então agradá-lo não passa de uma obrigação sua, sendo um favor que lhe faz, aceitar;
  • Sempre estão certos: mesmo que tenham errado, de acordo com a crença normal, eles buscarão uma forma de racionalizar o problema e direcionar a culpa para outra pessoa, seja um parente ou parceiro. Vão manipular as conversas, exaustivamente, até que a outra pessoa se considere de fato errada;
  • São referência do que é bom e justo: eles são pessoas de bem, de caráter, belas e justas e toda a sociedade deveria seguir seus passos. Se não o fazem, são duramente criticados, sejam pessoas próximas ou até mesmo estranhos, na internet por exemplo, que tenham opiniões divergentes;
  • Relacionamento sem troca, somente doação: se ele é perfeito e a pessoa que está ao seu lado deveria ser grata por tê-lo presente, a relação não é uma troca e sim um endeusamento de um, com a objetificação do outro;
  • Comportamento frio e calculista: O narcisista perverso passa por um ciclo claro de encantamento, início da desestruturação do outro de forma sutil, indo a uma completa crítica e depois o silêncio e isolamento, retomando o ciclo novamente. Isso acontece para – na mente dele – fazer com que a pessoa aprenda o que é certo (o jeito dele);
  • Ele não sabe que está fazendo mal para o outro: como ele é perfeito, provavelmente acredita que está fazendo o melhor para todos ao seu redor, transformando-as em algo um pouquinho melhor, já que são tão desprovidos das habilidades que lhe são próprias;
  • Diminui as pessoas ao seu redor: exatamente por achar que os outros são muito piores do que eles, são extremamente críticos, muitas vezes de forma totalmente negativa;
  • Se incomoda com o sucesso dos outros: se aparece alguém que está fazendo algo bom, de sucesso, são tratados com desdém, piadas ou até irritação.

Essas características podem ser classificadas como de pessoas más, porém é importante lembrar que, nesse caso, são pessoas doentes e que precisam de acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Veja mais detalhes com a psicóloga Ana Beatriz.

2. Psicopatia

Existem graus de psicopatia, sendo essa uma doença incurável, pois o indivíduo nasce e vai morrer com ela. A psicopatia é um tipo de sociopatia, que pode ser manifesta ou não, pois existem diversos tipos, podendo ser de natureza afetiva e outras razões.

Eles estão em todos os lugares, passando muitas vezes despercebidos, estando nas casas e nas empresas, inclusive em grandes cargos. Na política também são encontrados muitos desses perfis, dada a capacidade de comunicação e sedução dos doentes.

Guido Palomba, psiquiatra forense e autor no ramo, demonstra algumas características que próprias a psicopatas:

  • Inteligente: o psicopata é absolutamente capaz de articular ideias, de forma que consiga a resposta que espera, depois de pensar e calcular quais seriam as possibilidades de respostas e possíveis ações de correção, em prol do seu objetivo;
  • Manipula as pessoas ao redor: sedutor, inteligente e articulado, o psicopata pode se mostrar afetuoso, quando lhe for interessante. Diferentemente do narcisista, que não tem consciência do que faz, é tudo calculado;
  • Sedutor: boa conversa, sorriso milimetricamente calculado, sempre muito bem vestido e penteado, o psicopata é altamente sedutor, sabendo falar o que você quer ouvir e amaciando o seu ego para conseguir o que deseja;
  • Não tem escrúpulos: mente, manipula, fere e até mata para ter o que quer, sem arrependimentos;
  • Não tem empatia: não se importa com o sentimento ou pensamento do outro, sendo este apenas um obstáculo ou alicerce para a construção dos seus planos;
  • Frios e violentos: podem até demonstrar sentimentalidade, para que possa seduzir, mas eles na realidade são frios e violentos, não pensando duas vezes antes de fazer algo totalmente fora do padrão moralmente aceito.

Veja mais detalhes na entrevista dada pelo psiquiatra Guido Palomba.

3. Maquiavelismo

De acordo com esse estudo, publicado na revista científica Periódicos Eletrônicos em Psicologia (Pepsic), “o maquiavelismo tem sido definido ao longo do tempo ora como um traço ou disposição da personalidade, ora como estratégia de conduta social”.

Essa confusão se dá por causa da interpretação do pensador e filósofo Nicolau Maquiavel, que escrevia sobre diversos temas ligados ao poder e à política, tendo seu nome vinculado a uma de suas obras, que não necessariamente passam sua crença, mas sim à maneira como a sociedade funcionava na época.

No livro “O Príncipe”, ele mostrava como alcançar o poder através de ferramentas um tanto controversas, sendo o que ele percebia nas cortes que frequentava. Servia como um alerta para o povo, mas tornou-se quase que um manual para os poderosos. A conquista do objetivo a qualquer custo ficou associada a o seu nome.

Dessa forma, na psicologia, quando se fala de alguém maquiavélico, está se dizendo que essa pessoa manipula os que o cercam para conseguir recompensas para si, normalmente relacionado ao poder. Com isso, não há empatia, afeto, apego à moral vigente e pouca ou nenhuma vinculação ideológica.

Para os pesquisadores, essa é uma característica aprendida, seja por pais, cuidadores, professores e outras figuras de referência, tendo duas características necessárias: a habilidade de persuasão e a capacidade para perceber as intenções dos outros com exatidão.

4. Sadismo

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Um estudo realizado em parceria pelas instituições University of British Columbia e University of Texas, feita com estudantes locais, comprovou a presença do sadismo em diversos níveis, em pessoas ditas como comuns.

Essa é uma característica que é mais difícil de ser percebida, pois pode ser confundida com uma brincadeirinha de mal gosto, mudança de humor ou até mesmo ser considerada somente uma reação menos convencional a coisas que acontecem no dia a dia.

Por definição, o sadismo é um traço anormal da personalidade, pois comumente, o ser humano se sente mal por ver ou fazer alguém sofrer, mas com o sádico é exatamente o contrário. Para ele, ferir um inocente é uma ação prazerosa e excitante.

Dessa forma, ao invés de “procurar aliviar o sofrimento, esses indivíduos podem buscar oportunidades para exercitar a brutalidade e satisfazer seus apetites por crueldade”, mesmo sendo pessoas ditas como normais, presente no dia a dia de muitas casas e empresas.

Foi isso o que o estudo acima comprovou. Apesar do pouco investimento em pesquisas sobre o sadismo, dando maior ênfase aos aspectos da tríade, esse grupo procurou mostrar que há níveis de sadismo em mais pessoas do que esperado.

Para isso, pediram para um grupo de estudantes responder a um teste-base sobre sadismo, tendo um escore individual que serviu como base para a segunda parte do estudo. Nessa etapa, eles tinham que escolher entre algumas tarefas desagradáveis.

Entre elas estava moer insetos vivos. A grande maioria escolheu essa tarefa, que eles poderiam parar quando quisessem.

As pessoas com maior tendência ao sadismo mostraram, porém, uma característica marcante. Eles poderiam parar de moer insetos vivos quando quisessem, podendo ser apenas um, mas escolheram continuar a “brincadeira”.

Para deixar mais sério, cada inseto vinha em um copinho de café, com um nome fofo escrito nele. Na realidade, os insetos não se feriram, pois caiam em uma rede dentro do moedor, sendo emitido um terrível som de moagem, através de dispositivos sonoros. Só que os alunos não sabiam disso, e continuavam eliminando os insetos.

Para comprovar de vez, fizeram uma terceira etapa. Colocaram duplas frente a frente para jogar um complicado emaranhado de palavras. Quem terminasse primeiro tinha o direito de colocar algum barulho desagradável para o oponente ouvir, na altura que quisesse. Claro que isso não ia acontecer, pois ambos não se viam, por causa de uma placa de separação e ambos estavam com fones que abafam sons.

Porém, as pessoas que tinham demonstrado uma personalidade mais sádica, nos passos anteriores, foram os que mais se esforçaram para resolver o complicado enigma, colocando os maiores volumes, divertindo-se com o sofrimento do colega, que estava do outro lado.

Isso comprova um traço claro do sádico, que é se esforçar para infligir dor e sofrimento no outro, sentindo prazer e satisfação quando consegue. Por ser essa característica marcante, o primeiro estudo sugeriu que fosse adicionado à dark triad, como características de pessoas más.

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