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O que é a violência silenciosa e como acabar com ela

Saber identificar quando acontece já é um grande passo para quebrar o ciclo da violência
violência silenciosa o que é e o que fazer
Crédito: Freepik

Tanto homens quanto mulheres podem sofrer com violência silenciosa, assim como filhos de pessoas desequilibradas ou idosas. A dor, o sofrimento e a mutilação psicológica é imensa em todos os casos, devendo sempre ser motivo de alerta e atenção.

Infelizmente, grande parte das vítimas é mulher, normalmente sendo muito mais permissivas com seus parceiros do que deveriam, dado o papel que lhe é imposto na sociedade. Criadas como cuidadoras dos filhos, família e casa, elas se acham capazes de promover a mudança necessária, sendo fortes o suficiente para suportar até a mudança.

Porém a mudança nunca chega. É um ciclo doentio, que machuca e destrói não o corpo, mas a alma.

O que é a violência silenciosa

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Crédito: Freepik

É aquela que não deixa marcas físicas e visíveis. Ela se desenvolve aos poucos, depois de ganhar a confiança da vítima e tem por objetivo prejudicar a “autoestima,  identidade ou desenvolvimento da pessoa. Inclui: ameaças, humilhações, chantagem, cobranças de comportamento, discriminação, exploração, crítica pelo desempenho sexual, não deixar a pessoa sair de casa” e muitos outros, conforme aponta um estudo feito em Santa Catarina.

Isso acaba por levar a um isolamento, porque a vítima se sente incapaz até de manter laços de relacionamento, ou porque é imposto pelo agressor, através de brigas, implicância, manipulação, chantagem e outras formas. A vítima da violência silenciosa é normalmente ansiosa, tem baixa autoestima, adoece facilmente, podendo levar até à depressão e morte.

Existem várias práticas que mostram que a violência silenciosa está acontecendo, sendo muitas dessas bastante comuns, infelizmente. Veja alguns exemplos, que estão na cartilha da campanha #TambémÉViolência, da ONG Artemis:

Psicológica

Qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que vise desagradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica.

Patrimonial, econômica e financeira

Quando o agressor retém, subtrai ou destrói os bens pessoais da vítima, seus instrumentos de trabalho, documentos e valores como joias ou carros, e até mesmo animais de estimação. Acontece também quando ele deixa de pagar pensão alimentícia ou de participar nos gastos básicos para a sobrevivência da família, usar recursos econômicos da idosa, tutelada ou incapaz, deixando-a sem provimentos e cuidados.

Moral

Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria praticada pelo agressor contra a mulher.

Física

Qualquer ato que prejudique a saúde ou integridade do corpo da mulher. Tem o uso da força física, não acidental, que causa lesão à vítima. Tapas, socos, cortes, exigência de ingestão de medicamentos desnecessários, drogas ou até alimentos.

Sexual

Ação cometida obrigando a mulher, por meio da força física, coerção ou intimidação psicológica a ter relações sexuais ou presenciar práticas sexuais contra a sua vontade. Estupro, sexo forçado no casamento, abuso sexual infantil, assédio sexual, obrigar a mulher a se prostituir ou usar contraceptivos contra a sua vontade.

Existem também formas “mais sutis”, como o gaslithing ou tentativas de fazer com que a pessoa se sinta menos relevante, inteligente ou significativa. Veja alguns exemplos, elaborados pela ONG Olga.

Gaslighting

Muito comum em relacionamentos abusivos, é a manipulação psicológica que faz com que a mulher e as pessoas ao redor do casal acreditem que ela enlouqueceu. É um comportamento rotineiro que faz com que a vítima duvide da sua própria sanidade e da sua própria percepção dos fatos. “Você está louca” é uma frase comum desse tipo de prática.

Manterrupting

Man (do inglês homem) + interrupting (do inglês interrupção) acontece quando um homem está sempre interrompendo o que uma mulher está falando. Com isso, ela não consegue terminar uma frase ou pensamento, seja em casa ou em uma situação de trabalho. É extremamente comum e passa muito despercebida.

Bropriating

O termo em inglês se refere a quando a ideia dada por uma mulher é roubada por um homem, que leva os créditos por ela. É por conta de situações como essas que muitas mulheres não são promovidas ou têm seu reconhecimento devido no trabalho.

Mansplaining

Também do inglês man (homem) + explaining (explicando), acontece quando um homem decide explicar coisas para uma mulher que ela já sabe, como, por exemplo, algo sobre menstruação. Eles fazem isso didaticamente, como se a mulher não fosse capaz de entender. Esse comportamento é parte do machismo, quando o homem explica à mulher o porquê dela estar errada, quando, na realidade, ela está certa.

Claro que isso faz parte do dia a dia de muitas pessoas – e não deveria – mas fica muito mais intenso quando a mulher sofre violência silenciosa. A ideia central é remover o eixo, desequilibrar a pessoa de forma tal para que nem ela mesma confie em si e aprecie as pequenas agressões citadas acima.

Como saber se é vitima

Existem diferentes sinais, para diferentes tipos de relacionamentos. Porém alguns são bem recorrentes e são também sinal de desrespeito e violência. Conheça alguns deles.

 

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Ele não bate, mas não te deixa ser quem é, grita com você, te pressiona e até assusta, às vezes? Ele não bate, mas seu coração dispara quando ele está por perto, e não de uma forma boa… Ele não bate, mas você prefere assumir a culpa que não é sua, só para ter paz? Você pode ser vítima de violência.

Você se sente cada dia mais triste, insegura, achando que realmente ele deve ter razão, que você não presta e que nunca ninguém vai sequer olhar para você? Ele fala de você para os amigos e até para a sua família, de forma pejorativa, sempre te colocando para baixo e fazendo intrigas, para que se afastem de você?

 

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Pedir para não contares para ninguém é só uma forma do agressor manter o controle. Não permita! Procure a delegacia da mulher da tua cidade. #tambéméviolência #mariadapenha #denuncie #violênciadoméstica #violênciacontramulher #relacionamentoabusivo

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Ele te xinga, grita, ameaça, inferniza. Quando você diz que vai contar para a família, amigos ou polícia, ele diz que ninguém vai acreditar? Forte sinal. Acredite em você e tenha coragem de denunciar, isso é violência também!

Não deixe que ele tire sua fé no sistema, o dique-denúncia pode ser o primeiro passo para a mudança que você necessita. Ligue do orelhão, do celular de uma amiga, mas não deixe que essa seja a sua única opção de vida.

Ele quer ter total controle das suas redes sociais, se é que você tem alguma? Será que não tem por escolha sua ou porque quer ter alguma paz? Ele te inferniza ou até ameaça, se você estiver falando com pessoas que ele desaprova? Pior, ele fica lendo suas mensagens, só para ver “como você anda se comportando”? É violência.

Esses são apenas alguns exemplos de coisas que acontecem em um relacionamento abusivo, no qual ocorre a violência silenciosa. Mas você sabia que esse tipo de relação tem fases bem marcadas e que se repetem?

 

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Primeiro vem a fase da conquista, quando o príncipe perfeito está à sua frente, depois vem o ciúmes doentio, primeiro passo para controlar sua roupa, seus contatos, sua vida. A partir daí, você cai em isolamento, quando a culpa é sempre sua, independente de quem erre.

Frases como “ninguém nunca vai te querer” são recorrentes e você até passa a acreditar nelas. Chega a um ponto em que cada passo é controlado e você deve sempre pedir permissão, mesmo sem entender o porquê. Nem seu dinheiro existe mais. Existem também as ameaças e reações exageradas, que podem levar a medidas extremas.

Depois de fazer bobagem – se é que se pode chamar assim – entra novamente no ciclo do príncipe encantado, passando pelas outras fases, cada vez mais rapidamente, reduzindo o emocional da pessoa que sofre a pó.

Como acabar com ela

De forma simplória: se afaste, física e mentalmente. Mesmo que tenha que voltar a morar com seus familiares, vale a pena puxar o freio, se reequilibrar e começar novamente, com fé em dias melhores.

Se estiver sentindo que não aguenta mais e não tem forças para sair sozinha, entre em contato com o 188, o Centro de Valorização da Vida (CVV). Lá eles vão poder te ajudar, ouvindo a sua história e deixando seu coração mais leve. É anônimo!

Em casos em que a violência já não está tão silenciosa assim e que não somente a alma, mas o corpo grita de dor, ligue para 180 ou vá à Delegacia da Mulher da sua cidade.

Veja esse vídeo que pode te ajudar a ver se é ou não um caso de violência.

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