O processo de envelhecimento, obviamente, é regido pelo corpo, através da regeneração (ou a falta da regeneração) das células do corpo. Porém, diversos fatores podem influenciar, desde a exposição à poluentes, alimentação inadequada e estresse. Por isso muitos dizem que a velhice é só um estado de espírito.
O estresse libera cortisol no organismo, um importante hormônio que, em excesso, pode reduzir a imunidade e enfraquecer sua saúde a nível celular. Dessa forma, se sua mente está ajustada e você reage melhor aos acontecimentos, a tendência é não produzi-lo tanto.
Apesar de fazer sentido, será que o estado de espírito realmente tem influência sobre o corpo? Foi com esse pensamento que a psicóloga Ellen Langer realizou os primeiros testes sobre o tema. Ainda jovem na época e não renomada, ela arriscou um estudo e surpreendeu a todos, sendo hoje uma das professoras mais antigas de Harvard.
Estudo mostra que velhice é só um estado de espírito

Eram idosos em bom estado de saúde, porém a idade tinha deixado a sua marca. Alguns usavam bengalas, outros andavam com mais dificuldade. Antes de ir para o mosteiro decorado, eles passaram por exames que mediam a destreza, força, flexibilidade, audição, visão, memória e capacidade de aprendizagem.
Antes de sair, foram encorajados a lembrar como era a vida na época em que tinham 20 e poucos e a agir como se tivessem essa idade. Disseram também que as chances deles conseguirem se sentir como em 1959 eram grandes, se mantivessem o esforço para tal. E desde que chegaram no mosteiro, tudo mudou.
Como foi o estudo
Eles subiram sua própria bagagem, mesmo que aos poucos, como fariam na década de 50. Assistiram e discutiram os jogos da época, falavam sobre as notícias vistas, como o lançamento do primeiro satélite americano para o espaço ou falavam sobre os filmes da época. Na decoração, nada de espelhos ou roupas modernas, somente o clássico dos anos 50.
Foram excelentes cinco dias, para ambos os grupos, porém somente o grupo do experimento foi encorajado a agir como se tivesse 20 anos. Ao retornar, fizeram os mesmos testes anteriores e a diferença entre os dois grupos foi gritante. Maior flexibilidade, melhor postura corporal, destreza manual e até a visão e audição melhoraram.
Outros estudos relacionados

Foram realizados pela mesma pesquisadora e muitos outros diversos estudos sobre a ideia de que a velhice é só um estado de espírito, buscando mostrar a relação entre as crenças que se tem em mente, provenientes do meio ou não, e a saúde como um todo. Conheça mais outros dois realizados por Langer e sua equipe.
Salão de beleza
Em um estudo anterior, ela tinha visto que a maior parte dos homens que tinham um determinado tipo de câncer eram os calvos. Isso chamou sua atenção, relacionando ao estudo anterior e a forma como a pessoa se vê, associada a crenças da sociedade.
Assim, ela fez um novo estudo, dessa vez em um salão de beleza. Foram abordadas 47 mulheres que iriam arrumar os cabelos no salão, pedindo para medir a pressão sanguínea antes e depois do tratamento capilar. Assim que terminavam, respondiam a um questionário, dizendo como estavam se sentindo e tinham a pressão medida novamente.
Aferindo os resultados, a equipe observou que as mulheres que se sentiram mais jovens, depois de cortar ou pintar os cabelos, tiveram uma redução significativa na pressão arterial. Novamente, a mente influenciando no funcionamento do corpo, tendo assim um artigo de sucesso, publicado na revista científica Perspectives on Psychological Science.
Simulador de voo
Em um estudo mais recente, Langer e sua equipe de pesquisadores publicaram os resultados de outro estudo interessante sobre como a mente pode afetar a saúde, dessa vez, especificamente a visão. Eles pegaram dois grupos de pessoas e colocaram em simuladores de voo.
No primeiro, o grupo de controle, eles estariam somente assistindo o voo, sem operar nada, pois afirmaram que os controles do simulador estavam quebrados. No segundo, eles se vestiram como pilotos da força aérea e tiveram que tentar controlar o avião, no simulador, exigindo maior esforço e dedicação.
Ambos os grupos fizeram testes de visão antes do experimento. O primeiro grupo (de controle), não sofreu alterações, o segundo apresentou uma melhora de 40% da capacidade visual. Langer concluiu que “a manipulação mental pode neutralizar limites fisiológicos presumidos”, ajudando a manter a saúde e juventude por mais tempo.
Por todos os seus anos de estudos e pesquisas, essa professora de Harvard teve somente um objetivo, de acordo com suas próprias palavras: “devolver o controle de nossa saúde para nós mesmos”.

