Um estudo lançado recentemente por uma Universidade britânica mostra que o soluço em bebê pode ser mais do que um simples incômodo. Ele, na realidade, está totalmente relacionado ao desenvolvimento do cérebro e seu aprendizado.
O soluço do bebê e o cérebro
Pesquisadores financiados pela University College London (UCL) publicaram um estudo que pode mudar a forma como se compreende o cérebro. Encontrado na revista científica Clinical Neurophysiology, ele fala sobre a relação entre o soluço nos primeiros dias de vida e a aprendizagem do bebê.
Para isso, foram estudadas as ondas cerebrais de 13 recém-nascidos. Eles tinham a idade gestacional entre 30 e 42 semanas ou, em outras palavras, eram alguns prematuros e outros a termo. Para a pesquisa, era fundamental que tivessem essa idade, pois queriam avaliar a situação no último trimestre da gravidez.
Apesar de ter um caráter científico, todo o processo foi realizado com cuidado e o acompanhamento de profissionais no berçário. Para isso, foi cedido o espaço na maternidade Elizabeth Garret Anderson, que fica na UCL. O pessoal da área de Neurociência, Fisiologia e Farmacologia também estava presente.
Como ocorreu a pesquisa

Como não se sabe ao certo quando o soluço virá, os pesquisadores deixaram os recém-nascidos com toucas especiais que contêm eletrodos de eletroencefalografia. Outro equipamento foi usado em conjunto no experimento: um sensor de movimentos que identificava quando o bebê soluçava, associando às ondas cerebrais captadas pelos eletrodos.
A ideia era compreender a relação entre o soluço e o que acontece no cérebro e verificar se há alguma relação. E os resultados não poderiam ser mais interessantes, mostrando que o soluço não é apenas um incômodo indesejado. Na realidade, ele é fundamental para a vida adulta e o controle da respiração.
Resultados
Em resumo, o soluço é uma ferramenta de aprendizagem para o cérebro. De acordo com os pesquisadores, “as contrações do diafragma no soluço evocavam uma resposta pronunciada no córtex cerebral – duas grandes ondas cerebrais seguidas por uma terceira. Como a terceira onda cerebral é semelhante à evocada por um ruído, o cérebro pode ser capaz de vincular o som ‘hic’ do soluço à sensação da contração muscular do diafragma”.
Mas de que forma isso é importante? Além de criar inúmeras conexões neurais – fundamental para a cognição do bebê – ele também ajuda a monitorar e controlar a musculatura relacionada à respiração. Ou seja, é um aprendizado para no futuro conseguir controlar o ritmo ao respirar, fazendo isso de forma consciente e não mais automática. Assim, você hoje só pode controlar a respiração durante aquele filme tenso por causa do soluço quando era apenas um bebê.

