Pobreza menstrual
Crédito: Freepik
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Pobreza menstrual: uma situação que precisa acabar

O que você sabe sobre pobreza menstrual? Já passou por isso ou conhece alguém que passa? Saiba mais sobre essa realidade

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Esse é um tema atual que muita gente nunca ouviu falar. Mas, precisa ser disseminado porque é importante. A pobreza menstrual é uma realidade triste e que traz consequências prejudiciais ao futuro de milhões de pessoas que menstruam, no mundo todo. O Brasil, infelizmente, faz parte do grupo que está piorando a pobreza menstrual, tanto que o assunto veio à tona desde o veto do presidente da República aos artigos da lei que propõem a distribuição de absorventes a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mas, afinal: o que é pobreza menstrual?

A resposta vem de quem entende do assunto: Giulia Gouveia, coordenadora adjunta do Laboratório de Eleições, Partidos e Política Comparada (Lappcom) e assistente de coordenação do projeto Mulheres Eleitas, respondeu ao Dicas de Mulher, de forma clara e objetiva:

“Pobreza menstrual é um termo que se refere ao estado de vulnerabilidade socioeconômica e à consequente precariedade no acesso a direitos e insumos relacionados à menstruação. Trata-se de uma questão estrutural, multissetorial e muitas vezes invisibilizada, que deve ser compreendida e enfrentada a partir de aspectos que envolvem saúde, educação, mercado de trabalho, direitos sexuais e reprodutivos, saneamento básico, assimetrias sociais e políticas públicas.” 

Um problema de saúde pública, mas que o público desconhece

A pobreza menstrual é considerada um problema de saúde pública desde 2014, pela ONU. Mulheres em idade fértil, homens trans e não binários que vivem em extrema pobreza, encarceramento ou em situação de rua, simplesmente não têm acesso a itens de higiene menstrual, infraestrutura para higiene íntima e informação sobre menstruação.

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Mas, quem se importa? Nem mesmo as pessoas que menstruam, mas que têm acesso ao necessário para cuidar de sua higiene menstrual, se dão conta da dimensão do problema. No entanto, um levantamento feito pela Johnson & Johnson Consumer Health em parceria com os Institutos Kyra e Mosaiclab, mostrou que 11,3 milhões de mulheres vivem nessa situação.

Esse mesmo levantamento realizou uma pesquisa com 814 mulheres brasileiras que menstruam regularmente, entre 14 e 45 anos, representantes das classes C/D, via painel online com complemento telefônico para classes mais baixas, entre os dias 23 de abril e 10 de maio de 2021.

O resultado da pesquisa trouxe os seguintes dados:

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  • 28% das mulheres de baixa renda são afetadas diretamente pela pobreza menstrual (cerca de 11,3 milhões de brasileiras);
  • 30% conhecem alguém que é afetado pelo problema;
  • 4 em cada 10 mulheres convivem com o tema pobreza menstrual, pois são afetadas ou têm algum conhecido afetado;
  • 94% de mulheres de baixa renda não sabem o que é pobreza menstrual e, por isso, não conseguem identificar quando vivem uma realidade de vulnerabilidade;
  • O desconhecimento é maior entre mulheres mais velhas, das regiões Centro-Oeste e Sul;
  • 40% das mulheres de baixa renda que são afetadas pela pobreza menstrual têm entre 14-24 anos;
  • 29% tiveram dificuldades financeiras nos últimos 12 meses para comprar produtos para menstruação.

As consequências da pobreza menstrual

Saber que a menstruação existe e que ela deixa as mulheres irritadas, todo mundo sabe. Mas, é completamente diferente você ser uma pessoa que menstrua e conseguir se colocar no lugar de outra pessoa que menstrua, mas que não tem qualquer condição de cuidar da sua higiene menstrual. Não é horrível? Como você se sentiria?

Essas pessoas que são diretamente afetadas pela pobreza menstrual acabam lidando com as consequências da falta de conhecimento, que vão muito além dos dias da menstruação. Veja os dados da mesma pesquisa realizada pela Johnson & Johnson Consumer Health:

  • Nos últimos 12 meses, 28% das mulheres pesquisadas tiveram infecção urinária ou cistite; 24% tiveram candidíase; 11% infecção vaginal por fungo e 7% infecção vaginal por bactéria;
  • 73% têm vida sexual ativa e o método de proteção mais usado é o anticoncepcional, que previne gravidez, mas não doenças sexualmente transmissíveis;
  • 36% concordam não saber muito bem o que acontece com seu corpo durante o período menstrual;
  • 52% acreditam que “menstruar dita um pouco a nossa dignidade, porque, além de ter algum mal-estar, parece que estamos sujas”;
  • 6% já sofreram violência doméstica por estarem menstruadas;
  • 77% afirmam nunca ter tomado pílula anticoncepcional direto para pular a menstruação;
  • 7% admitem fazer isso algumas vezes quando estão sem dinheiro para comprar absorvente;
  • 11% adotam esse procedimento com acompanhamento médico, pois se sentem muito mal durante a menstruação.

Existem, ainda, as consequências que não dependem apenas de ter conhecimento sobre o assunto:

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  • 22% das mulheres dizem se sentir muito frágeis ao menstruar, porque no local onde moram não tem condições adequadas para se higienizarem como gostariam nesse período;
  • 9% não têm banheiro dentro de casa;
  • 8% afirmam que sempre ou quase sempre faltaram ao trabalho quando estavam menstruadas porque o banheiro é muito sujo e não tem condições de uso;
  • 24% concordam que, nos dias que menstruam, sentem que estão perdendo espaço na sociedade por serem mulheres, porque os homens não precisam passar por isso;
  • 16% afirmam que sempre ou quase sempre já deixaram de ir à escola quando estavam menstruadas porque o banheiro é muito sujo e não tem condições de uso;
  • 12% afirmam que sempre ou quase sempre já deixaram de ir à escola quando estavam menstruadas por não estarem com absorvente ou com algum absorvente improvisado.

Projeto de Lei aprovado para combater a pobreza menstrual

No mesmo dia em que essa pesquisa foi divulgada, o Senado Federal aprovou um projeto da Câmara, relatado pela senadora Zenaide Maia (Pros-RN), que prevê a distribuição gratuita de absorventes higiênicos para estudantes dos ensinos fundamental e médio, mulheres em situação de vulnerabilidade e presidiárias.

Veja também: Mulheres relatam distúrbios na menstruação depois do COVID-19

Artigo com informações de Dicas de Mulher e UOL Viva Bem

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