O sistema de saúde nos Estados Unidos é bem diferente do que se conhece no Brasil. Por mais que se tenha muitas críticas ao sistema nacional, ao menos dá alguma segurança de que algum dia será atendido. Já nos EUA, ou você tem dinheiro ou passa muito aperto. Também o mercado de planos de saúde é complexo e vampiresco. E isso afeta inclusive os jovens diabéticos.
De acordo com a Commonwealth Fund, citada em reportagem, “embora seja o mais caro, o sistema de saúde dos Estados Unidos é o pior dentre 11 países desenvolvidos do mundo”. Isso inclui os aspectos eficiência, equidade e os resultados obtidos. Mostra também a necessidade de que se amplie o acesso a não-segurados, para que todos possam ter acesso à saúde.
Em meio a esse sistema injusto há um agravante. Os planos de saúde têm uma liberdade desumana. Além do preço exorbitante, inacessível para a maior parte da população, faz de tudo para cortar gastos. Um exemplo é o não fornecimento de atendimento a filhos, a partir dos 26 anos, obrigando a fazer um novo plano.
Jovens diabéticos não conseguem comprar insulina

Aqueles que têm que trabalhar para se manter, em uma economia que ainda está se recuperando, com diversas dificuldades, estão sofrendo para conseguir o básico. A insulina é um remédio literalmente vital para quem sofre com diabetes tipo 1. Sem ela, as complicações são gravíssimas e podem levar a caminhos sem volta.
O site BuzzFeed fez um compilado de casos tristes de jovens que precisavam do hormônio para sobreviver, mas que foram impedidos pelo preço inacessível. Entre as alternativas, o mercado ilegal com medicamentos estragados (fora da temperatura) e o racionamento. Muitos tomavam somente a metade do necessário para que possa pagar por um pouco de qualidade de vida.
Racionamento e jejum
O caso do jovem Laverty, de apenas 28 anos é chocante, mas nada incomum, infelizmente. Ele teria que gastar cerca de US$ 950 dólares por mês somente em insulina, o que era quase impossível. Como não conseguia comprar todo o medicamento necessário, passou a manter a quantidade certa de um dos tipo, comprando somente a metade do outro necessário.
Como uma das insulinas são para serem utilizadas quando se alimentar, ele optou por deixar de comer algumas refeições. Assim, ele deixava de precisar na insulina, já que não teria pico de açúcar. Até as injeções que não eram de ação rápida passaram a ter suas doses reduzidas.
Como resultado, uma fadiga fora do normal, irritação, cansaço e desconforto. Sentia também uma sede que não tinha fim, além de ir direto ao banheiro e dormir muito mal. Foram quatro meses nesse sofrimento, até conseguir um emprego que oferecesse um plano de saúde que cobrisse seu medicamento.
Mercado ilegal de insulina
Ela utilizou a insulina por algum tempo e começou a sentir-se muito mal, vomitando bastante. Até que chegou a desenvolver cetoacidose diabética, sendo internada imediatamente. Foram 12 horas vomitando sem parar e 5 dias na UTI. Tudo isso por causa do hormônio ilegal, que – de acordo com os médicos – deve ter superaquecido (a insulina deve ser sempre refrigerada).
Esse são apenas alguns casos, porém nem todos tiveram essa “sorte”. Infelizmente, sem ter como pagar pelo hormônio, muitos jovens acabam com complicações gravíssimas, chegando inclusive à óbito. Isso só realça a injustiça de um sistema de saúde punitivo, que precisa ser revisto o quanto antes, para ser mais humano.

