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Desenvolvimento do câncer: quanto tempo leva e métodos de detecção

Não basta uma mutação celular para que uma pessoa desenvolva um câncer perigoso

Crédito: Freepik

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O câncer é uma doença complicada que afeta muitos brasileiros, mas pouca gente sabe sobre o desenvolvimento do câncer. É interessante ter pelo menos as informações básicas para os leigos, pois isso ajuda a conscientizar sobre as formas de prevenção e a lidar com a doença, quando afeta alguém próximo.

Segundo levantamento do Instituto Nacional de Câncer – INCA, para o ano de 2020, foram estimados 66.280 casos de câncer de mama em mulheres e 65.840 casos de câncer de próstata em homens. Esses são apenas os dois tipos mais incidentes, mas a estimativa é de que o Brasil registre 625 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2020/2022.

É assustador saber que quase 1 milhão e novecentas mil pessoas estão passando pelo desenvolvimento do câncer, somente em um país, nesse exato momento. Veja como é o processo celular pelo qual essas pessoas passam.

O desenvolvimento do câncer

O desenvolvimento do câncer acontece quando, durante a multiplicação das células, ocorre uma mutação genética que faz com que elas passem a se reproduzir descontroladamente, formando um tumor. A isso, dá-se o nome de neoplasia.

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Mas, não basta essa mutação para que o tumor seja considerado câncer. Também é preciso acontecer um processo de alteração no DNA e algumas falhas nos mecanismos de controle celular. Isso pode levar semanas, meses ou até anos.

Caso a célula de uma pessoa sofra uma mutação genética, ela pode ser contida por meio de mecanismos de compensação intracelular.

Se eles não conseguirem corrigir a mutação, o corpo inicia um processo para levar a célula à morte. Essa morte programada, geralmente, depende de uma molécula chamada TP53 (anormalidades nessa célula foram encontradas em mais da metade dos cânceres humanos).

Caso esse procedimento falhe, o sistema imunológico, que tem potencial e poder para destruir as células anormais, entra em ação.

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Se sobreviver à destruição, aí sim a célula começa a crescer e multiplicar. Mas, também não é garantia de que ela vai vingar.

“Apenas uma mutação não é suficiente para gerar um tumor. Isto é, é preciso uma sucessão de eventos e de alterações cronologicamente sequenciadas que, com o tempo, se acumulam e vão passando de uma etapa para outra na carcinogênese (formação do câncer)”, explica o Dr. Marcos André Costa, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Quanto tempo leva o desenvolvimento do câncer?

Como já mencionado, o tempo de desenvolvimento do câncer é muito variável, pois há diferentes fatores envolvidos.

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De acordo com o Dr. José Orlando Bordin, onco-hematologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, “existem tumores que são considerados muito lentos na sua formação, os chamados indolentes, e existem tumores que são bastante agressivos, como os linfomas indolentes, nos quais os pacientes apresentam, na história da doença, sinais ou exames laboratoriais que indicam que o tumor estava presente há vários meses, ou até anos. Por outro lado está, por exemplo, uma leucemia mieloide aguda, que se desenvolve em poucas semanas ou dias, algumas vezes de uma forma muito agressiva”.

Métodos de detecção do câncer

Geralmente, quando um médico suspeita de câncer pela primeira vez, algum tipo de estudo de imagem é feito, como radiografia, ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

Esses exames mostram a presença, a localização e o tamanho de uma massa com anomalia, mas não conseguem confirmar se o câncer é a causa.

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Se o tumor é muito precoce, com lesões que sejam menores do que cinco milímetros, os exames de imagem não conseguem identificar. Por isso é comum, no caso de cânceres mais agressivos, que em um exame de rotina não tenha nada e, dois/três meses depois, a doença apareça.

Mas, mesmo nos caso de um tumor detectável, depois dos exames de imagem o médico pode pedir uma biópsia, que é um procedimento cirúrgico no qual é colhida uma amostra do tumor para análise em laboratório.

Quando os resultados dos exames sugerem câncer, é feita a medição dos níveis dos marcadores tumorais no sangue. Os marcadores tumorais são substâncias secretadas na corrente sanguínea por certos tumores, e eles podem fornecer evidências adicionais a favor ou contra o diagnóstico de câncer.

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Biópsia líquida

“O que está surgindo é a biópsia líquida. Ela nos permite detectar fragmentos do DNA no sangue [apenas coletando uma amostra] e esses fragmentos podem detectar a doença. Aí, sim, é possível identificar um câncer muito precoce. Essa é uma área de intensa investigação, talvez seja uma coisa para cinco ou mais anos”, finaliza o Dr. Marcos André Costa.

Biópsia ótica

Em São José dos Campos, interior de São Paulo, pesquisadores da Univap estão desenvolvendo um novo método para a detecção de tumores maligno: a biópsia ótica. Nesse exame, não é necessária a cirurgia e o paciente fica sabendo do resultado em minutos.

Na biópsia ótica não é feita nenhuma sutura. Um cabo de fibra óptica, com dimensão de um fio de cabelo, é introduzido na região com tumor ou nódulo. As imagens são lidas por um programa de computador, que decifra o comportamento das moléculas e aponta se as células são malignas ou benignas.

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Veja também: Origem do câncer: você já pensou em como essa doença surgiu?

Artigo com informações de Abrale, Manual MSD e Boa Saúde

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