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Calmantes e soníferos: brasileiros consomem mais de 55 milhões de caixas por ano

Pesquisa mostra que brasileiros estão consumindo mais de 55 milhões de caixas de calmantes e soníferos

Crédito: Freepik

O brasileiro é mundialmente conhecido como um povo alegre, mas uma nova pesquisa traz um dado alarmante. O país superou a marca de 55 milhões de caixas consumidas por ano de calmantes e soníferos.

De acordo com a Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), “sedativo é o nome que se dá aos medicamentos capazes de diminuir a atividade do cérebro, quando o sedativo é capaz de afastar a insônia, produzindo o sono, é chamado de hipnótico ou sonífero. E quando um calmante tem o poder de atuar mais sobre estados exagerados de ansiedade, é denominado de ansiolítico”.

Eles agem sobre o sistema nervoso central, de acordo com a particularidade de cada um. Alguns podem ser obtidos com receita simples, porém a maior parte é tarja preta. Dessa forma, precisa deixar uma receita com a farmácia e ficar com a outra, anotando os dados do paciente e do médico.

Como dá para perceber, é coisa séria. Os calmantes e soníferos podem trazer inúmeras reações adversas, prejudicando o corpo a longo prazo. Além disso, pode causar dependência, mesmo se o uso for de poucos meses. Apesar disso, o consumo no Brasil é realmente surpreendente. Conheça a pesquisa.

O consumo de calmantes e soníferos no Brasil

O consumo de calmantes e soníferos no Brasil
Crédito: Freepik

Uma pesquisa realizada no banco de dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados, ligado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mostrou que o brasileiro está cada vez mais consumindo calmantes e soníferos. A pesquisa focou na análise do banco de dados de medicamentos controlados vendidos em farmácias privadas.

Foram comprados, somente em 2018, 56,6 milhões de caixas desses remédios. Isso dá cerca de 1,4 bilhão de comprimidos. Agora leve em consideração a população adulta nacional, que é de cerca 209 milhões de pessoas e veja o quão elevada é essa quantidade. Isso dá 6.471 caixas vendidas por hora no país!

Entre os medicamentos analisados estão algumas substâncias muito famosas e até usadas de forma indiscriminada. Entre os benzodiazepínicos – que só podem ser vendidos com retenção da receita – estão o “Alprazolam, Bromazepam, Clonazepam, Diazepam, Lorazepam, Flunitrazepam e Midazolam”. Eles são calmantes, voltados para ansiedade, depressão e similares.

Outra substância estudada foi o Zolpidem, um hipnótico – nome dado aos remédios que induzem rapidamente ao sono. Ele pode ser comprado em qualquer farmácia com receita dupla simples, desde que não seja uma dose maior que 12,5 mg. Além de mais acessível, ele vicia rapidamente, sendo uma escolha médica temporária.

Um ponto importante a se observar nesses dados é a queda da venda do Flunitrazepam. De acordo com a declaração dada pelo presidente da Associação Brasileira do Sono, isso se dá à sua má fama. Em suas palavras, “é o chamado ‘boa noite, Cinderela’, medicação que foi utilizada de maneira criminosa para gerar essa indução do sono”. E o que leva a esse consumo exagerado de calmantes e soníferos no país?

O que isso quer dizer?

O Brasil é um país tropical, abençoado por Deus. Dessa forma, como pode ter tanta gente precisando de calmantes e soníferos? De acordo com o psiquiatra Rodrigo Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP, “os motivos mais óbvios são estresse, sobrecarga de trabalho, falta de atividade física. E também uma sobrecarga sensorial gerada pelos aparelhos tecnológicos“.

Alem disso, para ele, isso está relacionado à crise que o Brasil vem enfrentando, com uma maior taxa de desempregados e suas consequências sociais. Todo esse contexto acaba mexendo com a “estabilidade emocional da população”. Essas fases ruins acabam levando à busca de uma solução rápida para a piora da saúde mental. Consequentemente, ao aumento do consumo desse tipo de medicação.

Em conclusão, Leite acaba resumindo em suas palavras que “essa série histórica é bem a curva da nossa crise social, política e econômica. O momento atual não está conseguindo aplacar a ansiedade da sociedade brasileira. A gente vive em um cenário de muita incerteza, tanto individualmente quanto coletivamente”.

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