bater nos filhos pode ser pior
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Bater nos filhos pode ser pior para a educação e para o futuro deles

Pense melhor sempre que quiser dar aquela palmada “educativa”; elas podem fazer mais mal do que bem

Você é a favor de bater nos filhos para corrigir seu comportamento? O fato é que uma “palmadinha” pode significar uma surra de deixar hematomas. Os pais precisam ter bom senso na hora de corrigir os filhos, pois há uma linha tênue entre a palmadinha e o abuso, inclusive psicológico. Aliás, nem mesmo essa “inocente” palmada deveria ser dada. Ao menos é o que diz a ciência.

Bater nos filhos e suas consequências

Um estudo foi realizado pela Universidade do Texas com 758 jovens de 19 e 20 anos de idade. Ele pretendia saber com que frequência eles apanhavam na infância. Alarmantes 68% dos entrevistados, confirmaram grande frequência ou intensidade de abuso. Entre eles, 19% disse que age com agressividade com o parceiro afetivo atualmente.

O que eles concluíram foi que, apesar do fator “apanhar na infância” não ser o único responsável por comportamentos agressivos para resolver conflitos, ele contribui muito. Crianças que percebem que os problemas em casa só se resolvem depois de apanhar, estão mais propensas a agirem dessa forma quando precisam resolver conflitos, seja com o parceiro ou outras pessoas.

Estudo de 50 anos prova que não funciona

Se você achou que o estudo acima não tem validade, por ser muito limitado, que tal um estudo realizado por 50 anos, com 160 mil crianças? Foi exatamente isso o que fez outra pesquisa da mesma universidade, em parceria com a de Michigan. E a descoberta que eles fizeram já era foco da discussão há tempos.

Agora, com comprovação científica, o estudo mostrou que quanto mais apanhavam, “mais eles passavam a exibir comportamentos anti-sociais e experimentar problemas de saúde mental”. Além disso, tendiam também a bater mais nos próprios filhos. Somando isso à agressão com os parceiros, do estudo anterior, se conclui que a palmada não é uma boa ideia.

Por que batiam?

Mas você já se perguntou de onde vem essa forma de “educar”? Certamente aprendeu com seus pais, que aprenderam com os pais deles. O estudo anterior mostrou que os que apanhavam na infância tendiam a bater também nos filhos. De certa forma isso explica porque o castigo físico acabou passando de geração em geração.

O que os pais pretendiam com a punição física era a obediência cega e imediata, seja de curto ou longo prazo. Porém, isso não acontecia de fato, deixando transtornos para o resto da vida. Essas são as palavras da cientista Elizabeth Gershoff, professora associada de desenvolvimento humano e ciências da família na Universidade do Texas.

O que fazer para não bater?

Se o que você quer é um adulto saudável e bem desenvolvido, deve então focar não em punição física mas sim em diálogo. Certamente há necessidade de se impor limites bem definidos, mas eles podem ser passados de forma mais didática e eficaz. Por que uma coisa é uma criança que obedece pelo medo, outra é aquela que obedece porque sabe que é o certo a fazer.

Então, se você quer criar seus filhos para o mundo, esqueça a palmadinha. Ao invés disso, use algumas dessas dicas:

  • Converse sempre: se a criança fez algo errado, explique o porquê de não se fazer isso. Mas converse também quando ela fizer algo legal, reforçando o bom comportamento;
  • Adapte a linguagem: de nada adianta ficar fazendo um monólogo na frente da criança. Tenha objetividade e mostre os pontos importantes da conversa. Se for pequeno, tente ser o mais breve possível;
  • Diga “não”: a simples palavra não pode ser útil para conter eventuais acidentes, mas não peque pelo excesso. Há também outras formas de orientar que não se resumem somente ao não;
  • Mostre que há consequências: se fizer birra no mercado, não leva o produto. Se desobedeceu o tempo de uso do celular, fica o dia seguinte sem. A ideia de que se agir errado, pode haver consequências é uma adaptação da vida real e deve ser seguida com inteligência;
  • Seja o exemplo: crianças aprendem muito pelo exemplo, talvez até mais do que pelas palavras. E acredite, eles estão prestando atenção a tudo o que faz;
  • Cumpra o que prometer: se você disse que amanhã compra, cumpra a promessa. Se o castigo é de 1 semana, não são 6 dias. Cumprir sua palavra vai dar mais força a ela, além de maior confiança entre vocês.

Mas lembre-se de que criar filhos não é uma receita de bolo. Muitas vezes, o que funciona mesmo é a tentativa e erro. Não é uma tarefa fácil, mas certamente é a mais importante que existe, então, respire fundo e procure fazer o seu melhor.

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