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Técnico de enfermagem ganha R$ 80 por plantão e dorme no terraço para proteger a mãe

A situação salarial da classe de enfermagem no Brasil está mais exposta, mas sempre foi precária

Crédito: Arquivo pessoal

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Por todo o Brasil a situação do coronavírus está deixando cada vez mais exposta a realidade em que os profissionais de saúde são obrigados a trabalhar. Eles, que são a linha de frente no combate à pandemia que está cada vez mais afetando os brasileiros, mostram nas redes sociais todo o descaso com as profissões.

Na Paraíba, o técnico de enfermagem Joseildo Batista está trabalhando em plantões de 12 horas e recebendo só R$ 80 para realizar um trabalho de alto risco.

Ainda por cima, quando chega em casa, vai dormir no relento do terraço para evitar contaminar sua mãe, que é uma senhora de 74 anos, hipertensa, com asma e que sofreu um infarto há pouco tempo.

“Quando soube que poderia transmitir para ela, pensei: ‘para onde eu vou?’. Com o salário que a gente ganha, não dá para alugar um quartinho. Eu não quero, casa, hotel, só quero um quarto para poder ficar tranquilo e exercer minha profissão sem medo de machucar a minha mãe, meu bem maior”.

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Com um salário tão baixo que recebe para trabalhar em uma Unidade de Pronto Atendimento em Campina Grande, não é possível que Joseildo consiga alugar um quarto para dormir com o mínimo de conforto e conseguir ir trabalhar revigorado no dia seguinte.

Ou seja, quanto menos estes profissionais de saúde conseguem se cuidar quando estão em casa, maiores são as chances de se contaminarem e não poderem mais ajudar os pacientes. É um ciclo vicioso que poderia ser solucionado com uma gestão mais eficiente por parte dos governos.

Além dos baixos salários, os profissionais de enfermagem são os que mantém contato mais frequente com as pessoas contaminadas.

Nas Unidades de Pronto Atendimento é ainda mais perigoso, pois é para onde as pessoas vão antes de serem encaminhadas ao hospital.

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E para ficar ainda pior, muitos funcionários não estão recebendo os equipamentos básicos de proteção, como luvas, máscaras e aventais, por conta da escassez.

Todo esse risco a que os enfermeiros são expostos já resultou em mais de 17 mortes no Brasil com suspeita ou confirmação de covid-19, segundo o Conselho Federal de Enfermagem.

Veja também: Itália e Espanha começam a reduzir mortes e internações por coronavírus

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Uma boa notícia para Joseildo

Joseildo mora em casa com sua mãe, duas irmãs e duas sobrinhas. Precisa pagar pensão e ajudar nas contas da casa. Para isso, apenas o salário de técnico de enfermagem não basta. Então, ele precisa fazer bicos de outras profissões para complementar a renda.

Mas, depois ele fez o seu apelo através de uma postagem no Instagram, uma boa notícia apareceu. Uma empresa de vaquinha on-line divulgou sua história e em apenas 2 dias conseguiu arrecadar R$ 34 mil.

Eu não quero para mim. Tirando o dinheiro para alugar um quartinho, vou fazer doações na minha cidade, porque tem muita gente precisando, e as pessoas vão passar por dificuldades. Já que estou sendo agraciado, tenho que agraciar mais pessoas”, diz.

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E também deixa o seu apelo: “recebo praticamente menos do que o salário mínimo. Não digo que é constrangedor porque não trabalho pelo dinheiro. É por amor. Mas a gente está na linha de frente o ano todo, estamos lidando com a vida e a morte das pessoas. Os governantes poderiam olhar para nós com um olhar diferente”.

Fonte: G1

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