TOC na pandemia
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Relatos de pessoas com TOC na pandemia

O transtorno faz com que o medo de se contaminar se torne uma obsessão muito difícil de lidar

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é uma condição que afeta milhares de pessoas. Muitas vezes, o diagnóstico leva anos, pois os seus portadores não percebem que possuem hábitos exagerados ou percebem e tentam esconder, levando uma vida de sofrimento.

O TOC consiste em ter pensamentos repetitivos, que levam a ações obsessivas de diferentes naturezas. Essas ações fazem a pessoa perder horas do dia executando uma mesma coisa, como se precisasse repetir aquilo inúmeras vezes até que o seu cérebro esteja satisfeito.

Alguns tipos mais comuns de TOC são o de limpeza e de contaminação, e são esses os tipos que estão causando mais problemas durante a pandemia de coronavírus.

As pessoas com TOC de limpeza não conseguem parar de limpar tudo à sua volta, inclusive o próprio corpo, ao ponto de causarem feridas.

As pessoas com TOC de contaminação não conseguem se livrar de pensamentos obsessivos sobre estarem contaminadas ou poderem se contaminar a qualquer momento, caso saiam de casa.

É muito importante compreender que o TOC é uma doença e necessita de tratamento médico para ser controlado. Por isso, tentar dizer para um portador que ele tem frescura e que não precisa se preocupar, não resolve nada. Pelo contrário, pode fazê-lo entrar em crise de pânico, com outros sintomas piores.

Veja alguns relatos de pessoas que estão sentindo piora nos sintomas do TOC de limpeza e de contaminação durante a pandemia e o que estão fazendo para resolver.

Carolina Melo, 37 anos

Carolina trabalha como bancária e foi diagnosticada com TOC de limpeza aos 18 anos de idade. Com a pandemia do coronavírus, ela começou a sentir necessidade de lavar as mãos compulsivamente, e percebeu que estava piorando quando suas mãos começaram a ter ferimentos por excesso de lavagem.

“Comecei a lavar muito mais as mãos e usar álcool, a ponto de feri-las e passava álcool compulsivamente no teclado e mouse. Eu estou fazendo tratamento com psiquiatra e psicóloga on-line. Comecei com a dose máxima de um dos remédios, mas tudo indica que iremos mudar todo o esquema dos medicamentos, pois não estou tendo melhora.”  

Jhonatan Costa, 22 anos

Jhonatan também teve o seu diagnóstico aos 18 anos de idade. Ele tem TOC de contaminação, ou seja, um medo constante de pegar alguma doença. Ele conta que desde a infância os sintomas já se manifestavam, não conseguindo se livrar de pensamentos obsessivos.

“Eu tinha vontade de morrer, eu sabia que eu não havia feito nada de errado, mas pensava em coisas que eu não queria pensar.”

Quando se tornou adolescente, Jhonatan começou a ter pensamentos obsessivos relacionados a questões sexuais. Quando ele tinha 17 anos, ficou com uma pessoa e, mesmo não tendo acontecido o ato sexual, a partir daquele momento ele passou a ter certeza que estava contaminado com HIV. Mesmo fazendo o exame e o resultado sendo negativo, nada era capaz de tirar o pensamento da cabeça do jovem.

“Em meus pensamentos o meu sangue havia sido trocado e o resultado foi um falso-positivo e fiquei por muito tempo acreditando que estava contaminado, por muitos anos o processo foi o mesmo, eu fazia o exame e não acreditava nos resultados.”

Em outra ocasião, ele foi ao cabeleireiro, que sem querer fez um corte com a navalha na orelha de Jhonatan, piorando a situação: “Coloquei na cabeça que havia sido contaminado, realizei o exame e não acreditei no resultado. Solicitei ser medicado com Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP). Um dia eu tive um surto e fui atendido pelo psiquiatra que identificou que eu tenho TOC por contaminação e me receitou medicação e terapia.”

Agora, durante a pandemia, Jhonatan continua sofrendo. Sua rotina de trabalho precisou ser interrompida porque ele não consegue mais sair de casa.

“Além de pensar no HIV, eu tenho muito medo de ser contaminado pelo coronavírus, eu não estou conseguindo sair de casa para nada. Fui afastado do emprego, pois toda vez que eu saio na rua me dá um desespero e muitas náuseas, quase todos os dias eu tenho falta de ar e a certeza que irei morrer por causa desta pandemia, estou com um medo excessivo de morrer, só penso nisso agora”.

Thainã Rodrigues, 23 anos

Há 5 anos a jovem Thainã faz tratamento psiquiátrico e psicológico para TOC. Quando ela era criança, lembra que já tinha sintomas, mas que os adultos à sua volta ignoravam, como se ela tivesse apenas manias que passariam com o tempo.

Thainã tem TOC de limpeza e de contaminação, descobertos em 2018, depois que seu pai foi diagnosticado com câncer de pulmão, e sua amiga com uma doença rara de pulmão.

“Por conta disso, eu passei a ter muito convívio com hospitais, e o medo de que os dois pegassem qualquer tipo de infecção era muito grande. Com isso, fiquei obcecada por limpeza, tudo em volta deles tinha que estar extremamente limpo. Eu não notei que era uma doença, até as pessoas à minha volta notarem que eu lavava a mão a cada segundo. Depois surgiu outro medo, eu achava que tinha me contaminado de alguma doença ou que tinha contaminado meu pai e minha amiga”.

O tratamento que Thainã estava fazendo até antes da pandemia mostrava melhora. Mas, com a chegada do coronavírus, o quadro mudou.

“Meu sintomas voltaram, o medo, o pânico e pavor de me contaminar ressurgiu. Eu passei a lavar as mãos com muita frequência e a tomar vários banhos. Fiquei algumas noites sem dormir. Eu procurei atendimentos emergenciais algumas vezes e segui todas as dicas. Agora, estou bem melhor. A atividade física tem me ajudado bastante nesse processo.”

Fonte: G1

Cada caso é um caso, mas todos precisam de atenção

Muitos profissionais da área da saúde mental estão oferecendo atendimento emergencial on-line durante a pandemia, não apenas para atender às pessoas com TOC, mas também para casos de pessoas com depressão, ansiedade e outros problemas que atrapalham a rotina.

Os médicos alertam para que as pessoas não parem seus tratamentos nessa época de coronavírus, já que é ainda mais importante manter os hábitos e medicações determinados pelo médico para ajudar a manter a mente sob controle.

Quanto aos que convivem com pessoas diagnosticadas com TOC, é essencial compreender a doença e ter paciência para lidar, pois não é algo simples de controlar. Do contrário, a pessoa doente seria a primeira a querer se livrar das obsessões, pois elas trazem muito sofrimento.

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