Em diversos ramos profissionais os homens ganham mais voz e vez do que as mulheres. A área de programação de computadores e sistemas é um bom exemplo. Para comprovar este fato, foi realizado um estudo, publicado no The Guardian, testando a aceitação de códigos escritos por mulheres.
Utilizando o repositório de softwares GitHub, que tem uma comunidade de mais de 12 milhões de usuários, os pesquisadores descobriram que os códigos escritos por mulheres são mais aprovados do que os escritos por homens. Mas, isso só aconteceu quando não havia divulgação do gênero do programador.
Nesse repositório, funciona da seguinte forma: os desenvolvedores podem colaborar em projetos, inspecionar o trabalho dos outros e sugerir melhorias ou soluções para problemas. Então, quando um desenvolvedor escreve um código para o projeto de outra pessoa, recebe o nome de “pull request”. O dono do projeto pode decidir se aceita ou não o código proposto.

Foi aí que a pesquisa acusou o preconceito. Foram cerca de 3 milhões de pull requests avaliados para concluir que os códigos escritos por mulheres tinham uma maior taxa de aceitação (78,6%) do que dos homens (74,6%).
Para verificar se essa maior taxa de aceitação das mulheres tinha a ver com a ausência da informação sobre o gênero delas na hora de enviar os pull requests, os pesquisadores separaram as mulheres cujos perfis deixavam bem claro que elas eram mulheres e aquelas cujo perfil não mostrava o gênero.
A descoberta foi bem explícita: a taxa de aceitação para pull requests identificados como sendo de mulheres caiu para 62,5%. Ou seja, o trabalho das mulheres tinha mais chance de ser aceito do que o dos homens apenas quando o gênero não era identificável.

Essa é apenas uma comprovação para que o grande parte das mulheres nessa área enfrentam todos os dias. Elas precisam se dedicar muito mais para conquistarem um cargo mais alto nas empresas, mesmo quando o currículo é melhor do que o dos homens concorrentes para o mesmo cargo. Além do mais, não há espaço para falhas. Qualquer erro é um grande risco de perderem o cargo, somente pelo fato de serem mulheres.

