Muito se tem discutido sobre a normatização, criminalização e outras vertentes envolvendo a homossexualidade. Um dos pontos a se trabalhar é a utilização dos banheiros femininos, masculinos ou neutros. Foi exatamente esse o estopim para um processo que envolve a rede de supermercados Makro e uma funcionária terceirizada que foi proibida de usar o banheiro no trabalho.
Entenda o que aconteceu

Thais Cyriaco, de 30 anos, é funcionária terceirizada de uma empresa que presta serviços ao Makro em Campinas (SP). Ela foi proibida de usar o banheiro das mulheres, passando a ter como opção apenas o banheiro masculino. Devido a reclamações de outras funcionárias, que diziam que ela se parecia muito com um homem, a auxiliar de limpeza passou a ter que mudar de banheiro e vestiário.
Casada com outra mulher, Thais usa vestimentas ditas como masculinas. Sua supervisora, depois de algumas reclamações com relação à sua presença no banheiro feminino, solicitou que ela passasse a usar o masculino, mesmo contra a vontade da funcionária.
Thais conta que “minha supervisora me procurou e disse: ‘Já que você parece homem, vai ter que usar o banheiro masculino’. Eu retruquei. Disse que era mulher e que não queria, mas ela foi irredutível”.
Em relação a utilizar o banheiro masculino, ela afirma: “tentei poucas vezes, mas desisti. Eu me sentia péssima. Evitava ao máximo. Passava o dia com vontade de fazer xixi, mas tentava aguentar até em casa. Quando ficava impossível, corria para o banheiro adaptado e rezava para que estivesse vazio. Foram cinco meses de sofrimento”.
Processo contra o Makro

Ela só teve direito a utilizar o banheiro feminino novamente depois que uma colega sua entrou em contato com uma advogada conhecida, em dezembro de 2018. Foi aberto um processo pedindo para que Thais pudesse usar o banheiro feminino.
Thais disse à advogada que sentia medo o tempo todo, sentia-se também constrangida, por ter que trocar de roupa em um ambiente com homens que não a viam como tal.
Assim que foi notificada, a empresa autorizou o uso, porém, como reflexo, ela diz que sente olhares tortos em sua direção, bem como um clima ainda mais pesado. A empresa se defende dizendo que já está investigando o ocorrido e divulgou a seguinte nota:
A rede esclarece que a funcionária terceira Thais de Paula Cyriaco, contratada de uma empresa que presta serviço de limpeza à loja de Campinas, solicitou ao seu empregador que fosse tratada pelo gênero masculino, adotando o nome de Thalyson.
O Makro foi comunicado deste posicionamento pela empresa terceirizada e, alinhado com seus valores de respeito à diversidade e à inclusão, imediatamente apoiou a decisão pessoal da funcionária, assim como sua escolha em utilizar o banheiro que melhor refletisse sua identidade de gênero.
Como parte dos seus valores e de sua política, a rede reforçará seu posicionamento junto aos funcionários e quadro de fornecedores, enquanto avança nas investigações mediante os novos fatos apresentados”.

