Crédito: Arquivo pessoal
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Idosa cursa engenharia aos 73 anos e realiza o sonho de estudar

Desde criança ela foi impedida pelo pai de frequentar a escola, e depois de casada o marido também a proibiu

Dona Allice Serafim é uma mulher determinada e um exemplo de vitalidade. Aos 73 anos de idade ela resolveu realizar seu sonho de fazer faculdade.

Desde os 8 anos de idade ela foi impedida de estudar pelo pai. Aos 18, quando se casou, o marido também a proibiu. E assim, somente aos 59 anos que Allice voltou a estudar.

Crédito: Arquivo pessoal

“Em 1955 meu pai me tirou da escola, porque para ele mulher naquele tempo não tinha que estudar e sim casar e cuidar da família. Com 18 anos me casei e meu marido pensava que nem meu pai, por causa disso eu nunca estudei”, contou Allice.

Mesmo com as proibições do pai e do marido, o sonho de estudar permaneceu no coração de Allice, que começou a treinar sozinha a escrita das palavras. Ela pegava um caderno, uma Bíblia e ia copiando.

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“Eu queria aprender as palavras, então tive de me virar sozinha, até que um dia eu aprendi. Desde então, tinha dentro de mim que um dia eu iria estudar”, contou.

Mesmo ainda casada, Allice passou a trabalhar fora. Ela servia café em uma gráfica de São Paulo. Esse emprego durou por 20 anos, até o marido dela falecer. Então, ela voltou para Catanduva/SP, sua cidade natal.

De volta à terra da sua infância, Allice continuou se dedicando a cuidar dos filhos, como sempre fez, até que eles cresceram. Foi a partir daí que ela resgatou o sonho de voltar a estudar. Em entrevista ao G1, Allice contou que procurou por um supletivo e começou a estudar à noite.

“Nunca faltei um dia sequer das aulas. Uma vez eu machuquei o pé, difícil para andar, mas não tinha problema. Fui com o pé doendo, cansada. Muito dedicada, sempre firme”, contou.

Os estudos saíram do básico e Allice passou a estudar coisas diferentes. Ela se sentia livre para aprender. Fez aulas de violão, de oratória, de informática e de contabilidade. A sensação de independência era indescritível.

Um dia, Allice viu uma propaganda de uma faculdade particular que estava oferecendo bolsa para o curso de engenharia de produção em Catanduva. Como ela achava a profissão importante na sociedade, e escolhida por pessoas inteligentes, resolveu prestar o vestibular.

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“Vi a propaganda na televisão e que tinham vagas abertas. Na hora já saí de casa e no dia seguinte fiz a prova”, contou.

Com toda essa segurança, não poderia ter sido diferente: Allice passou no vestibular e ingressou no curso de engenharia em 2018, cercada por colegas na faixa etária dos 20 anos, muito feliz e querida por todos.

“Acredito que estão na minha vida por alguma razão, trato todos iguais meus netos e filhos. Sou uma aluna aplicada, mas em qualquer dificuldade eles estão lá para me ajudar a entender a matéria”, contou.

Crédito: Arquivo pessoal

Além da amizade com os colegas mais novos, Allice também chama a atenção dos professores por ser uma aluna muito dedicada:

“Ela sente muita dificuldade, o que é normal pela idade, mas ela tem muita garra, é muito dedicada. Já tive outros alunos mais velhos que eu, mas a Dona Allice se destacou entre todos pela garra, ela não desiste, muito pelo contrário, ela quem anima a gente”, contou o coordenador do curso, Nilton Romero.

Allice chega mais cedo nas aulas para tirar dúvidas, e acredita que ainda conseguirá atuar no mercado de trabalho depois de formada:

“Ainda tenho fé que vou trabalhar. Mas se não der certo, tudo bem. A minha vontade é de estudar, ajudar as pessoas e fazer o bem”.

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