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Feminicídio: como vive a mãe que perdeu duas filhas

Uma história triste e trágica, mas que pode ensinar muito a todos, homens e mulheres

Crédito: Freepik

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Feminicídio existe mesmo ou é somente homicídio? Alguma entidade a reconhece como tal? Mais do que dados técnicos e discursos garbosos sobre semântica, a dor é um fato absoluto. Da mesma forma em que essa mãe teme por sua última filha viva, milhares de mulheres em todo o mundo choram suas perdas. Conheça a história dela e entenda melhor o que é esse fenômeno.

Mãe teme pela última filha viva

Ângela Gomes dos Santos, de 58 anos, chora hoje a perda de duas de suas filhas para o feminicídio. Elas foram assassinadas pelos homens que deveriam amá-las, seus parceiros. Vítimas de violência domésticas, cada uma a seu tempo, tentaram se separar e buscar uma vida sem medo. Mas elas tiveram suas vidas roubadas por serem mulheres.

Primeiro foi a filha caçula, Saara – ou Sarinha, como era chamada pela família. Sua morte ocorreu em 2005, na festa de 1 ano de sua filha com o parceiro. Eles tinham terminado dias antes e, por ter pedido a separação, ela sofreu diversas pancadas na cabeça. Não teve tempo nem de ser hospitalizada. Ele está foragido até hoje.

Depois foi a vez de Genaína, com 34 anos e que trabalhava como camareira de hotel. Sempre sorridente, ela escondia o terror que vivia entre quatro paredes. Além das ameaças silenciosas, a violência física começou, quando ele passou a beber. Ela tentou se separar e foi morta a facadas, na frente dos filhos de 2, 8, 11 e 14 anos. O assassino está foragido.

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Ângela chegou a perceber que a filha estava sendo agredida, dia antes do feminicídio. Ao confrontar o marido, ela não apenas foi agredida também, como foi proibida de ver a filha. Dando todo o suporte para a separação, ela não imaginava que ele chegaria a esse ponto. Ela hoje cuida de sua última filha e vive com medo de tudo.

Veja também: como reconhecer um relacionamento abusivo e o que fazer

O que é feminicídio

De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), “a violência contra as mulheres – particularmente a violência por parte de parceiros e a violência sexual – é um grande problema de saúde pública e de violação dos direitos humanos”. De acordo com seus indicadores, 1 a cada 3 mulheres já sofreu violência física ou sexual do parceiro, mostrando a gravidade do problema.

Quase 40% das mortes de mulheres se dá pelo parceiro masculino. Porém a violência vem muito antes, caracterizada por “danos físicos, sexuais ou psicológicos – incluindo agressão física, coerção sexual, abuso psicológico e comportamentos de controle”.

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De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), “feminicídios são assassinatos cruéis e marcados por impossibilidade de defesa da vítima, torturas, mutilações e degradações do corpo e da memória (…) onde a mulher morreu pela condição de ser mulher”. O Brasil é o quinto país no mundo com maior taxa desse crime.

Além de cruel, ele é fruto de uma cultura que precisa ser mudada o mais rápido possível. É inadmissível que um país como o Brasil, aceite se encontrar nessa situação. Enquanto não houver um esforço conjunto, políticas de educação e punição verdadeira, nada vai acontecer. E muitas Ângelas, Marias e Franciscas ainda vão chorar a morte de suas filhas.

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