cuidados no sexo entre mulheres
Crédito: Freepik

Cuidados no sexo entre mulheres: você sabe quais são?

As mulheres lésbicas e bissexuais encontram barreiras quando desejam saber como cuidar da sua saúde sexual

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Quando se fala em homossexualidade, a maioria das pessoas tende a pensar primeiro nos relacionamentos entre homens. Mas, as lésbicas também são homossexuais. Todo mundo sabe mais sobre os desafios que os homens gays enfrentam na sociedade, mas nem todo mundo sabe que as mulheres gays também passam por situações que dificultam levar uma vida normal.

É por conta desses tabus gerados pelo preconceito e pela desinformação de uma sociedade heteronormativa, que existem muitas dúvidas sobre os cuidados no sexo entre mulheres e nos relacionamentos bissexuais.

Mas, como são tipos de relações perfeitamente normais, assim como as heterossexuais, é importante falar sobre o assunto para que as mulheres saibam como se cuidar e prevenir doenças.

O Guia do Velcro seguro

A publicitária e ilustradora Nicolle Sartor criou o Guia do Velcro Seguro que reúne o que se sabe e se indica para prevenção de IST’s no sexo entre mulheres com vulva (já que existem as mulheres e homens trans também).

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O documento mais recente que Nicolle encontrou para elaborar o material foi feito em 2007, que é o único material governamental sobre o tema, chamado “Chegou a Hora de Cuidar da Saúde”. E, mesmo assim, ainda faltam muitos materiais com opções para proteção feminina, do mesmo jeito que existe a camisinha para os homens.

“Pensei em desenvolver o material como uma alternativa a esse contexto, que invisibiliza e estigmatiza nossas identidades e práticas sexuais enquanto mulheres lésbicas e bissexuais”, compartilha Nicolle em entrevista ao HuffPost Brasil.

″É muito importante que a gente foque na saúde enquanto direito básico para essas mulheres e no direito ao acesso à informação que, infelizmente, ainda é um privilégio, nesse caso. Considerando que a educação sexual e políticas de prevenção de IST ainda são voltadas ao sexo com pênis”, continuou.

Veja as imagens do Guia do Velcro Seguro com todas as informações transmitidas de forma muito simples e didática por Nicolle:

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O problema da desinformação já começa na escola de medicina

As mulheres lésbicas relatam que, quando vão ao ginecologista para uma consulta, os médicos não atuam da mesma forma ao ouvirem que elas não fazem sexo com pênis. Eles reduzem o tempo da consulta, não pedem os mesmos exames que prescrevem para as mulheres heterossexuais e, às vezes, sequer fazem o papanicolau, que é o exame básico, por julgarem que a mulher é virgem.

Essas informações são confirmadas nos dados do Dossiê Saúde de Mulheres Lésbicas, de 2006. De acordo com o documento, 40% das mulheres homo e bissexuais prefere não revelar sua orientação sexual ao médico pois, ao revelarem, quase sempre a consulta se torna mais curta e os médicos deixam de solicitar exames de rotina.

Além disso, 89,7% das mulheres heterossexuais confirmam ter realizado exame Papanicolau nos últimos três anos (até 2006). Mas, entre as lésbicas e mulheres bissexuais, a cobertura cai para 66,7%.

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É mais complicado para essas mulheres obterem informações seguras sobre a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, pois os médicos não estudam sobre isso na universidade e na especialização. Existe um mito, reforçado pelos médicos, de que o sexo homossexual entre mulheres seja menos suscetível a essas infecções, o que é logicamente um erro.

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